GM vai pagar US$ 220 milhões por vender dados de quem dirige a seguradoras
Montadora fecha acordo com 36 estados americanos após vender dados de localização e de comportamento ao volante a corretores, que repassavam a seguradoras. Os dados vinham do Smart Driver, encerrado em 2024.
Equipe Tech LoboPublicado em · atualizado em 3 min de leitura

A General Motors aceitou pagar US$ 220 milhões para encerrar um processo movido por procuradores-gerais de 36 estados americanos. A acusação: a montadora vendeu dados de localização e de comportamento ao volante dos seus clientes a corretores de dados, que repassavam a informação a seguradoras.
O acordo foi anunciado nesta quinta-feira (29).
De onde vinham os dados
A fonte era o Smart Driver, um recurso gratuito dentro dos aplicativos de carro conectado da GM. Ele rastreava e dava nota ao comportamento de direção — incluindo uso do cinto de segurança. Muita gente ativou achando que era só um medidor de performance ou um caminho para desconto no seguro.
Segundo reportagem do New York Times de março de 2024, que destapou o caso, GM e OnStar coletavam, usavam e vendiam geolocalização precisa e dados de direção a terceiros, entre eles os corretores LexisNexis e Verisk. As seguradoras podiam usar essa informação para definir o preço cobrado do motorista. A GM encerrou o Smart Driver ainda em 2024.
O que a GM terá de fazer
Pelos termos do acordo, a montadora passa a precisar de consentimento expresso antes de coletar ou compartilhar dados de direção e localização. Há também uma exigência nova: contratar uma empresa terceira para avaliar se o programa de privacidade da GM realmente funciona.
Em janeiro de 2026, a FTC já havia finalizado uma ordem proibindo GM e OnStar de compartilhar determinados dados de consumidores.
"Este acordo trata do Smart Driver, um produto que encerramos em 2024, e reforça as medidas que tomamos para fortalecer nossas práticas de privacidade", afirmou a GM em nota. A empresa diz que não venderá mais informação do veículo que possa ser ligada a uma pessoa, à localização ou ao jeito de dirigir — mas segue podendo repassar dados anonimizados a certos parceiros.
O que muda para você
Vale deixar claro: o acordo vale nos Estados Unidos. Não há indenização anunciada para motoristas, nem aqui nem lá, e o valor vai para os cofres estaduais.
O que o caso serve para lembrar é outra coisa. Carro conectado é um celular com rodas, e os aplicativos das montadoras coletam muito mais do que a maioria das pessoas imagina. Se o seu carro tem app, dá para fazer uma revisão de dez minutos:
- Abra o aplicativo da montadora e procure a área de privacidade ou de compartilhamento de dados. Veja o que está ligado e desligue o que você não usa.
- Desconfie de "programa de direção segura". O recurso que promete pontuar seu jeito de dirigir é exatamente o tipo que gera o dado mais valioso para seguradora.
- Leia o que o desconto no seguro pede em troca. Telemetria por desconto é um acordo legítimo — desde que você saiba que está fazendo um.
A GM, aliás, está colocando um assistente de IA com câmeras conectadas no OnStar, e já avisou: quem não compartilhar dados pode ter acesso limitado a certos recursos.
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