Binance perde US$ 6,3 bilhões em ataque e mantém saques suspensos
Maior roubo de criptomoedas da história ocorreu na quinta-feira (29). A Binance estima US$ 6,3 bilhões, promete cobrir as perdas e diz ter separado mais de US$ 6,34 bilhões para isso. Cerca de metade do valor já foi congelada.
Equipe Tech LoboPublicado em 3 min de leitura

A Binance confirmou o maior roubo da história das criptomoedas. O ataque foi na quinta-feira (29) e a própria empresa estima a perda em US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34 bi). Neste sábado (31), os saques seguem suspensos.
O número é estimativa e pode mudar. Três empresas de rastreamento de blockchain chegaram a contas parecidas: US$ 5,9 bilhões (Chainalysis), US$ 6,36 bilhões (TRM Labs) e US$ 6,43 bilhões (Elliptic).
Como foi o ataque
Segundo a TRM Labs, às 17h05 (horário de Brasília) carteiras da Binance em dez blockchains começaram a enviar recursos para o atacante, e a maior parte saiu em vinte minutos. A preparação vinha de antes: saques de teste via Tornado Cash começaram pelo menos 36 horas mais cedo.
A Binance afirma que a invasão começou no notebook de um engenheiro de DevOps, que deu acesso a um contêiner de serviço e permitiu disparar ordens de saque sem autorização. Depois, identificou outros pontos de invasão. Até agora não há evidência de vazamento de chave privada.
TRM Labs e Chainalysis atribuem o ataque, com alta confiança, ao TraderTraitor, grupo ligado à Coreia do Norte — o mesmo que o FBI responsabilizou pelo roubo da Bybit em 2025. A Binance não confirmou a autoria.
Metade já foi congelada
A reação foi rápida. A Binance congelou cerca de US$ 3 bilhões nas blockchains, Tether e Circle bloquearam mais de US$ 2,3 bilhões em stablecoins e Ripple e World Liberty Financial, outros US$ 230 milhões. Metade do valor foi travada em menos de cinco horas.
O problema é o resto: cerca de US$ 2,4 bilhões seguem com o atacante, quase tudo em ETH e BTC — moedas sem emissor central, que ninguém pode congelar.
A Binance promete cobrir todas as perdas e diz ter separado mais de US$ 6,34 bilhões em recursos próprios para recompor os valores, somando o fundo SAFU e a tesouraria. A atualização da prova de reservas está marcada para 2 de novembro.
O que muda para você
Se você tem dinheiro na Binance, três coisas valem agora:
- Não fique tentando sacar. Os depósitos voltaram na manhã de sexta. Para os saques, a empresa fala em retomada gradual, condicionada à conclusão das verificações de segurança, e não confirmou data. Em reais, também não há horário divulgado.
- Desconfie de qualquer "suporte" que te procurar. Roubo grande vem seguido de onda de golpe. A Binance não manda link por DM nem pede senha ou frase de recuperação. Nenhuma exchange séria pede.
- Trate a cobertura como promessa, não como fato. A empresa diz que ninguém vai perder dinheiro, e o histórico do SAFU joga a favor. Mas é promessa de uma empresa em crise, não a garantia de um fundo como o do sistema bancário.
No Brasil, os depósitos em reais via Pix caem numa conta de pagamento da Sim;paul, corretora comprada pela Binance em 2022. Segundo Thiago Sarandy, diretor-geral no país, o pedido de licença de prestadora de serviços de ativos virtuais ao Banco Central já foi protocolado dentro do prazo, que vencia na sexta (30).
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