Itaú compra a NeoSpace por R$ 2,9 bilhões e aposta em IA própria
O banco fechou a aquisição de 100% da startup brasileira de inteligência artificial. O negócio depende de Cade e Banco Central — e deixou em aberto como os dados dos clientes serão usados.
Equipe Tech LoboPublicado em 2 min de leitura

O Itaú anunciou na segunda-feira (26) a compra de 100% da NeoSpace, startup brasileira de inteligência artificial, por R$ 2,925 bilhões. É um dos maiores cheques já assinados por uma empresa brasileira em tecnologia nacional, e vale entender o que está sendo comprado de fato.
Quem é a NeoSpace
Fundada em 2023, a empresa desenvolve modelos fundacionais de IA — sistemas treinados para encontrar relações e padrões em volumes enormes de dados. A diferença para ferramentas como ChatGPT e Gemini é o foco: em vez de servir ao público geral, a tecnologia da NeoSpace é feita sob medida para aplicações especializadas, com ênfase no setor financeiro.
Banco e startup já trabalham juntos há quase dois anos. Nesse período construíram ferramentas usadas em análise de crédito, atendimento e prevenção a fraudes. O Itaú, inclusive, já havia liderado uma rodada de US$ 18 milhões na empresa no início de 2025.
Como fica o negócio
A operação ainda depende de aval do Cade e do Banco Central. Pelos documentos enviados à CVM, o Itaú paga uma parcela no fechamento e distribui o restante ao longo de cinco anos. A NeoSpace deve seguir operando de forma independente, mantendo equipe e pesquisa, com Bruno Pierobon continuando como CEO.
O que muda para quem é cliente
O banco fala em melhorar análise de crédito, detecção de fraude e personalização do atendimento, além de turbinar o ia.i, sua plataforma de IA generativa, com recursos de planejamento financeiro.
Na prática, ainda não dá para dizer o que muda e quando. O Itaú não informou prazos nem se haverá alteração imediata nos serviços.
A pergunta que ficou sem resposta
Aqui vai o ponto que merece atenção: o anúncio não detalhou quais informações de clientes vão alimentar os novos modelos, nem como esses dados serão tratados durante o treinamento. O comunicado fala em princípios de segurança, privacidade e uso responsável — o que é adequado, mas genérico.
Modelo de IA bancária é treinado com padrão de consumo, histórico de transação, comportamento de pagamento. São dados sensíveis, protegidos pela LGPD, e a diferença entre usar estatística agregada e usar dados identificáveis é enorme. Vale cobrar clareza, e vale acompanhar o que Cade e Banco Central vão exigir na aprovação.
O contexto maior
A compra entra numa onda em que bancos e fintechs correm para ter IA própria em vez de alugar modelo de terceiro. Faz sentido: dado financeiro é ativo estratégico, e depender de fornecedor estrangeiro para processá-lo é risco de negócio. Para o ecossistema brasileiro, é um sinal positivo — mostra que dá para construir tecnologia aqui e vendê-la por bilhões.
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