Binance retoma saques e diz ter coberto 90% do roubo; FBI aponta a Coreia do Norte
Saques voltaram neste domingo (1º), em etapas, começando por 15 criptoativos. A empresa diz ter alocado US$ 6,34 bilhões próprios e coberto 90% do valor roubado. O FBI atribuiu o ataque ao grupo norte-coreano TraderTraitor.
Equipe Tech LoboPublicado em 3 min de leitura

A Binance voltou a liberar saques neste domingo (1º), três dias depois do maior roubo da história das criptomoedas. O Bitcoin foi restabelecido pouco depois das 6h, no horário de Brasília, e a reabertura está sendo feita em etapas.
A primeira fase cobre 15 criptoativos, entre eles Bitcoin, Ether, XRP e Dogecoin, além de BNB, USDT e USDC. A empresa não divulgou a lista completa nem o cronograma das etapas seguintes.
Quanto já foi reposto
No sábado (31), a Binance anunciou ter coberto 90% do valor roubado. Dez criptomoedas — Bitcoin e Ether entre elas — estão com os valores totalmente recompostos. Os 10% que faltam são moedas menos negociadas, e a empresa diz que segue comprando ativos no mercado até chegar a 100%.
Yi He, cofundadora da Binance, afirmou que a empresa "alocou US$ 6,34 bilhões de recursos corporativos próprios para o fundo de usuários". Em comunicado, a corretora foi direta: "A Binance absorverá o impacto financeiro desses fundos roubados, não nossos usuários."
Parte da conta saiu do SAFU, o fundo de emergência: foram transferidos 7.499 BTC, cerca de US$ 580 milhões, restando outros 7.500 BTC. A empresa diz que vai recompor o fundo para cerca de US$ 1 bilhão.
A nova prova de reservas
Junto com a retomada, a Binance publicou uma atualização da prova de reservas. Dez ativos — Bitcoin, Ether, USDT, BNB, SOL, USDC, XRP, USD1, RLUSD e ZEC — já aparecem com 100% de cobertura. As demais altcoins ainda não, e a empresa segue comprando no mercado aberto e em operações de balcão.
Um detalhe técnico vale: a geração das provas criptográficas leva de 40 a 50 horas, segundo a própria Binance. Ou seja, o número que você consulta hoje não é um retrato do minuto.
O FBI aponta a Coreia do Norte
No sábado, o FBI afirmou que a operação foi conduzida pelo TraderTraitor, grupo patrocinado pelo Estado norte-coreano. Investigadores dizem ter identificado integrantes convertendo os ativos roubados em Ether. A Coreia do Norte nega.
Donald Trump foi mais cauteloso: "Não sabemos se foi a Coreia do Norte — mas, se foi, conversaremos com a Coreia do Norte sobre isso", disse. Richard Teng, CEO da Binance, descreveu o caso como um ataque complexo, em que os criminosos usaram um laptop comprometido e um software malicioso feito para apagar evidências.
O que muda para você
- Confira se a sua moeda está na primeira leva. São 15 ativos por enquanto. Se a sua não estiver, não é erro do app — é fila.
- Use a prova de reservas. A ferramenta permite verificar se o seu saldo entra no cálculo. É o tipo de checagem que quase ninguém faz e que, depois de um episódio desses, vale cinco minutos.
- A onda de golpe continua. Retomada de saque é o momento preferido do phishing: falso suporte, falso formulário de "liberação antecipada". A Binance não pede senha nem frase de recuperação.
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